O mercado de carros elétricos atravessa um momento transformador. A eletrificação da indústria automotiva deixou de ser tendência futurista para se tornar realidade concreta. Investidores atentos buscam entender quais empresas dominam esse setor e como suas ações se comportam.
A revolução silenciosa nas ruas tem nomes e números. Fabricantes tradicionais disputam espaço com gigantes tecnológicos. O valor de mercado dessas companhias reflete a confiança no futuro da mobilidade sustentável.
BYD domina vendas de carros elétricos globalmente
A chinesa BYD consolidou-se como potência incontestável. Em 2025, a empresa ultrapassou marcas centenárias e agora compete diretamente com a Tesla pela liderança mundial. A companhia vendeu mais de 4,27 milhões de veículos eletrificados, superando projeções anteriores.
As ações da BYD são negociadas na Bolsa de Hong Kong sob o código 1211. Atualmente, o papel é cotado em torno de HK$ 104,80 (aproximadamente US$ 13,35 na negociação americana). A capitalização de mercado ultrapassa 1 trilhão de dólares de Hong Kong.
Analistas projetam crescimento robusto. O consenso de instituições financeiras aponta preço-alvo de HK$ 604,76, sugerindo potencial significativo de valorização. O lucro líquido da empresa dobrou no primeiro trimestre de 2025 comparado ao ano anterior.
No Brasil, a BYD domina com mão de ferro. Em setembro de 2025, a marca conquistou impressionantes 69,7% do mercado nacional de elétricos. O Dolphin Mini lidera as vendas com 3.392 unidades emplacadas apenas naquele mês.
Tesla enfrenta momento desafiador
A pioneira Tesla mantém posição relevante, mas enfrenta turbulências. As ações da companhia (TSLA) são negociadas em torno de US$ 430,17 na Nasdaq. O papel oscilou entre US$ 214,28 e US$ 488,54 nos últimos doze meses.
O preço-alvo médio dos analistas situa-se em US$ 408. Entretanto, as previsões variam consideravelmente. Enquanto alguns projetam US$ 600, outros apontam apenas US$ 120. Essa disparidade reflete incertezas sobre a estratégia futura da empresa.
A Tesla entregou 497.099 veículos no terceiro trimestre de 2025. O número superou expectativas, mas levantou questões. Críticos apontam que a corrida final se deveu ao término de incentivos fiscais americanos de US$ 7.500.
Desde dezembro de 2024, quando atingiu pico próximo a US$ 480, a empresa perdeu mais de US$ 800 bilhões em valor de mercado. Analistas do Bank of America reduziram o preço-alvo de US$ 490 para US$ 380, citando preocupações com vendas.
Volkswagen aposta na transição
O grupo alemão representa a força europeia tradicional. As ações ordinárias (VOWG) são cotadas a €98,40 na bolsa de Frankfurt. A capitalização de mercado aproxima-se de €49 bilhões.
A empresa vendeu 769.000 unidades elétricas em 2023, garantindo o terceiro lugar mundial. A participação no mercado global cresceu de 7,9% para 8%. Modelos da linha ID enfrentaram dificuldades em mercados asiáticos, mas a Audi compensou com boa performance na Europa.
Analistas estabelecem preço-alvo médio de €119,73 para 2025, com projeções chegando a €184,20 em 2027. A empresa investe pesadamente em eletrificação, buscando liderança tecnológica no continente europeu.
O crescimento de 14,3% nas vendas elétricas da marca VW no primeiro semestre demonstra capacidade de adaptação. A parceria com a Uber para desenvolver o ID. Buzz autônomo sinaliza visão estratégica de longo prazo.
General Motors busca recuperação
A americana GM negocia suas ações a US$ 73,52 na NYSE. O papel variou entre US$ 41,60 e US$ 73,86 nos últimos doze meses. A capitalização de mercado ultrapassa US$ 46 bilhões.
O preço-alvo médio dos analistas é US$ 74,15. As estimativas variam de US$ 46 a US$ 100, refletindo divergências sobre o futuro da companhia. Dezessete analistas recomendam compra, enquanto apenas dois sugerem venda.
A GM alcançou sua maior participação no mercado americano desde 2017 no terceiro trimestre. A CEO Mary Barra reafirmou compromisso com veículos elétricos, anunciando US$ 4 bilhões em investimentos de capital.
Contudo, a empresa incorrerá em despesa de US$ 1,6 bilhão devido ao realinhamento de capacidade. Mudanças nas políticas americanas, incluindo fim de incentivos fiscais, impactaram a estratégia de eletrificação.

Desempenho das ações reflete incertezas
O mercado de carros elétricos vive momento de ajustes. Enquanto a BYD apresenta crescimento exponencial, fabricantes tradicionais enfrentam desafios na transição. A Tesla, outrora indiscutível, experimenta volatilidade sem precedentes.
Os preços das ações espelham essa realidade complexa. A BYD negocia com P/E de 27,86, considerado atrativo dado o crescimento projetado superior a 20% anuais. A Volkswagen apresenta P/L de apenas 2,23, sugerindo possível subavaliação.
A Tesla opera com múltiplos elevadíssimos. O P/E aproxima-se de 200 vezes os lucros projetados, muito acima da média histórica de 95 vezes. Investidores apostam em inovação futura, mas o risco é evidente.
Fatores que movimentam o mercado
Diversos elementos influenciam o desempenho dessas companhias. Políticas governamentais desempenham papel crucial. Incentivos fiscais e regulamentações ambientais definem a velocidade da transição.
A infraestrutura de recarga avança globalmente. No Brasil, o número de pontos ultrapassou 4.200, crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Nos Estados Unidos, redes como Supercharger e Electrify America expandem rapidamente.
Tecnologia de baterias evolui constantemente. A bateria Qilin da CATL alcança 72% de eficiência volumétrica, permitindo autonomia de 1.000 km. Tempos de carregamento caem drasticamente, com alguns modelos atingindo 80% em menos de 20 minutos.
A competição chinesa intensifica-se. Marcas como GWM, Volvo e até Renault disputam fatias do mercado brasileiro. A democratização de preços acelera a adoção. Modelos que custavam R$ 200 mil há poucos anos hoje partem de R$ 99 mil.
Perspectivas para investidores
O mercado de carros elétricos oferece oportunidades e riscos. Analistas projetam que mais de 30% das vendas globais de veículos novos serão elétricos em 2025. China, Europa e Estados Unidos respondem por mais de 80% desse volume.
Investidores devem considerar múltiplos fatores. Exposição geográfica, capacidade de inovação e solidez financeira pesam nas decisões. A BYD apresenta vantagem em escala e custo. A Tesla aposta em tecnologia e marca. Tradicionais como Volkswagen e GM oferecem estabilidade e dividendos.
A volatilidade permanecerá elevada. Mudanças regulatórias, avanços tecnológicos e flutuações macroeconômicas impactam diretamente os preços. Diversificação e horizonte de longo prazo são essenciais.
Conclusão
O mercado de veículos elétricos redefine a indústria automotiva. Empresas centenárias competem com startups disruptivas. O valor das ações reflete apostas no futuro da mobilidade.
A BYD consolida liderança em volume e custo. A Tesla busca recuperar momentum através de inovação. Volkswagen e GM apostam em transição gradual e solidez operacional.
Para investidores, o momento exige análise cuidadosa. As oportunidades são reais, mas os riscos também. Acompanhar indicadores financeiros, tendências de mercado e desenvolvimentos tecnológicos torna-se fundamental.
A revolução elétrica apenas começou. As próximas décadas definirão vencedores e perdedores. Quem compreender essa dinâmica estará melhor posicionado para aproveitar as oportunidades que surgem nesse mercado em transformação.
Fontes: Global Growth Insights, UAI Notícias, News Motor, Accio, Mundo do Automóvel para PCD, Investing.com, Investing.com BYD, HelloSafe BYD, Investing.com Volkswagen, HelloSafe Volkswagen, Investing.com General Motors, ADVFN General Motors












